quarta-feira, 24 de junho de 2015

COMPORTAMENTO

Intolerância religiosa é crime. Opinar não.

Charge do cartunista Carlos Ruas, da série 'Um Sábado Qualquer'. 
Erick Vizoki

Ok... Tenho recebido algumas indiretas de várias pessoas, no Facebook, muitas críticas, na verdade, dizendo que sou um intolerante religioso... Isso não é verdade, nem de longe. Tenho amigos e parentes das mais diversas religiões, bem diferentes umas das outras, e me dou bem com a maioria deles. Já até namorei com evangélicas, espíritas, católicas, agnósticas...

EM PRIMEIRO LUGAR: não critico os fiéis, de nenhuma religião, mas sim alguns de seus líderes, que usam de má fé para manipular e enriquecer, geralmente, às custas da desgraça alheia.
Há muitos charlatães e enganadores em praticamente todas as religiões. Até alguns monges, que sempre considerei pessoas muito iluminadas, sábias e honestas, já foram pegos em malandragens e falcatruas. Além disso, e não sou só eu que acho, mas a comunidade evangélica é o alvo preferido da maioria dos agnósticos e ateus, e até adeptos de outras religiões, por motivos muito óbvios e claros: muitos líderes evangélicos, pastores, bispos, missionários etc são notadamente sedentos de poder e dinheiro. Prova disso é seu intenso envolvimento na política.
Alguém já ouviu falar em bancada católica, umbandista, espírita, messiânica, ou qualquer outra no parlamento federal ou parlamentos estaduais e municipais? Só existe a reacionária bancada evangélica que, por sinal, é bem grande.
Religião e política nunca combinaram, todos sabem disso. A igreja católica demorou em perceber, mas na Idade Média o Papa tinha poderes de monarca e a igreja católica ditava até a maneira de governar na maioria do mundo conhecido adepto da cristandade. Reis e imperadores geralmente se submetiam às orientações do papado. A Santa Inquisição e as Cruzadas são o lado mais obscuro dessa interferência política.
Tanto poder levou ao racha da cristandade, o que levou ao protestantismo, avô das denominações evangélicas atuais.

EM SEGUNDO LUGAR: as principais críticas recaem sobre minhas impressões e opiniões sobre o próprio Deus. Como já disse, não sou ateu, mas agnóstico. Sei que para os religiosos praticantes não vai adiantar nada eu me explicar, pois a crença em Deus é milenar e existe desde que o Homem deixou de ser um mero pitecantropo. Portanto, sei que é perda de tempo tentar demover crenças e opiniões profundamente inseridas na formação de milhões de pessoas.
Mas o que critico são as leituras sobre Deus. Muitos se acham no direito de fazer e dizer o que quiserem porque Deus está a seu lado e, sendo assim, ele estará sempre com a razão e em seu direito, o famoso "em Deus tudo posso". E há também as incoerências. A própria Bíblia, mais aceita no Ocidente, está cheia de subterfúgios, contradições e irracionalidades. Qualquer argumento contrário ao que está escrito lá será sempre rebatido por outras passagens do mesmo Livro Sagrado. É como uma constituição e legislação de um país: sempre há uma brecha para se justificar ou para se defender. Além disso, uma obra tão antiga, traduzida e retraduzida milhares de vezes, certamente passou por alterações, principalmente tendo em vista o poder da Igreja Católica em centenas de anos.
Por exemplo: em toda Sua perfeição e poder, Ele próprio se arrependeu de Sua criação máxima, o Homem, tentando fulminá-lo por diversas vezes: expulsou do Paraíso seus protótipos Adão e Eva; dizimou totalmente duas cidades, Sodoma e Gomorra, por causa da promiscuidade; inundou o mundo todo (tudo isso segundo a Bíblia) para acabar de vez com a humanidade que não O respeitava; por fim, enviou para a tortura e morte Seu próprio filho, Jesus, para tentar, uma última vez, redimir Sua “amada” criação.

PARA ENCERRAR: como pode um Deus tão benevolente, piedoso, caridoso, compreensível, deixar milhões de crianças, idosos, homens e mulheres sofrerem flagelos de todo tipo sem nenhuma explicação plausível? Peste, fome, guerras, violência, intolerância, racismo, preconceito são características de Sua criação, aquela que foi criada “à Sua imagem e semelhança”. Só isso já é pressuposto para acreditar que Deus não é perfeito. Em muitos casos, muitos religiosos dizem que é “castigo”. Não sou perfeito como Deus para entender como alguém (ou algo) que tem amor infinito pode castigar Sua própria criação.
Então, me perdoem aqueles que me interpretaram mal. Mas vou continuar expressando minhas opiniões sobre a questão. Não vou apedrejar nenhum religioso ou deixar de confraternizar com eles, muito menos ser intolerante. Para mim, pessoas são pessoas, com suas virtudes e defeitos, independentemente de sua orientação religiosa. Mas não vou aceitar que ninguém tente me impor sua crença ou me criticar baseado em suposições de crenças que não acredito.

É isso.

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